
Nos últimos anos, a busca intensa do público pelo Dachshund de coloração arlequim — popularmente chamado na internet de “mofadinho” — cresceu de forma expressiva. De fato, quando oriundos de cruzamentos responsáveis, com seleção criteriosa e exames genéticos completos, esses cães podem ser saudáveis, equilibrados e perfeitamente aptos a levar uma vida longa e feliz.
O problema surge quando a alta demanda passa a incentivar criações sem controle genético, realizadas por pessoas sem conhecimento técnico ou compromisso com a saúde da raça. A genética da coloração merle (responsável pelo padrão arlequim) exige extremo cuidado, pois cruzamentos inadequados podem resultar em filhotes com sérios problemas de saúde, incluindo alterações auditivas, visuais, neurológicas e imunológicas.
Criadores éticos trabalham com planejamento genético detalhado, histórico de linhagem e testes de DNA que analisam gerações anteriores para identificar a presença do gene merle e evitar combinações de risco. Esse processo não é simples, rápido ou barato — e justamente por isso garante a proteção da raça e o bem-estar dos filhotes.
Quando a estética vira moda e se sobrepõe à responsabilidade, quem paga o preço são os animais. Por isso, é fundamental que futuros tutores busquem criadores sérios, que apresentem documentação, exames e transparência total sobre a origem dos filhotes.
Valorizar a criação responsável é a única forma de garantir que a beleza e a singularidade do Dachshund arlequim existam lado a lado com aquilo que realmente importa: saúde, qualidade de vida e respeito ao animal.
A moda e seus impactos nas raças caninas
Outro ponto que preocupa criadores responsáveis é quando uma raça — ou até mesmo uma característica específica dentro dela — se torna tendência. A popularização repentina pode incentivar criações sem critério, resultando em cães com problemas de saúde e distúrbios genéticos que, no futuro, serão lembrados por tutores traumatizados. Esses relatos negativos acabam sendo disseminados e o público passa a associar tais problemas como se fossem características típicas da raça, o que prejudica sua reputação quando a moda passa.
Esse fenômeno já aconteceu diversas vezes ao longo da história. Raças como poodles, muito populares entre as décadas de 1950 e 1960, e cockers, que tiveram grande procura entre os anos 1970 e 1990, sofreram com criações indiscriminadas durante seus períodos de auge, o que contribuiu para o surgimento de linhagens com temperamentos e condições de saúde comprometidos — consequências sentidas até hoje.
“A sociedade precisa se conscientizar de que escolher um cão não deve ser baseado apenas em modismo, aparência ou exotismo, mas sim em suas qualidades reais, que vão muito além da estética”, afirma o criador de Dachshund Leandro de Souza, responsável pelo Canil Enchantress.
Valorizar criadores éticos, que priorizam saúde, genética e bem-estar, é essencial para preservar a integridade das raças e garantir que futuras gerações de cães sejam lembradas por suas virtudes — e não por problemas que poderiam ter sido evitados.
Nota de orientação ao público
A criação de cães arlequins é regulamentada e pode ocorrer dentro dos padrões oficiais da raça quando realizada com responsabilidade técnica e critérios genéticos rigorosos. No entanto, orientamos que a escolha de um filhote nunca seja motivada apenas por modismo ou preferência estética.
O mais importante é ter a certeza de que o cão foi gerado de forma criteriosa, com seleção consciente, exames genéticos e foco na qualidade racial, temperamento e saúde — e não somente na cor da pelagem. A verdadeira criação responsável prioriza o bem-estar animal e a preservação saudável da raça acima de qualquer tendência passageira.